O SENTIDO DA ESPIRAL NO LABIRINTO DE PAISAGENS CAMBIANTES INDAGA A ALMA CRIATIVA NO ESPAÇO COLETIVO

NÚCLEO DE ESTUDOS DA PAISAGEM - FAU USP
aprender com a cidade, aprender na cidade
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paisagem                ensino                pesquisa                arte
        espiral da sensibilidade e do conhecimento 

por um conhecimento livre e sensível, por um mundo livre e em paz


PROPOSIÇÕES DE ENTENDIMENTO

Por proposições de entendimento pensamos no que habitualmente se refere por conceitos e definições (sobretudo estas não adotamos). Preferimos propo-las como problematizações-conceituações ao invés de conceitos e sobretudo de definições, pelo que estas têm de excludentes e os conceitos de certeza-definição, na verdade sempre incertas embora autoconfiantes. A problematização é um estado em processo contínuo, em conceituação. Talvez não possa excluir-se uma dimensão assertiva, mas não é isso o que a define, pois aceita contradições e ambiguidades inerentes ao processo cognitivo e não elimina possibilidades dissonantes, pois permanece como um ensaio contínuo, em construção e instável, e diz respeito ao entendimento em contínua construção no grupo.

Além disso, a problematização se estabelece como uma tomada de posição, no aprendizado de estar e pensar no mundo. Nesse sentido, possibilita e convida, a partir da conceituação e prática educativa na cidade, repensar o ensino, formação e atuação para transformação partilhada e coletiva da paisagem e da cidade, e de pensar com os habitantes da cidade os meios de definir e construir o ambiente que se deseja, não como um exercício de futuro, mas como um exercício no presente. Fomentamos uma postura de produção de conhecimento livre e solidário, em construção colaborativa com parceiros externos à Universidade, ativos portanto no processo de construção desse conhecimento. Temos aprendido muito com nossos parceiros e conjuntamente com eles.

  • a paisagem é entendida como experiência partilhada social, cultural e existencialmente, e portanto como uma condição de ser no mundo, articulando esferas da subjetividade, do simbólico, da sociabilidade no cotidiano, e dos tempos na qual a paisagem é herança e um patrimônio coletivo que nos transcende, mas também futuro que vamos definindo com nossas ações, sendo todos coautores de seu destino. As paisagens que nos ocupam são entendidas como um campo de tensões e contradições, evidenciando o drama humano que abrigam em sua dimensão histórica, ecológica e cultural, e as implicações sociais que se abrem com esses estudos.

  • a cidade e o ambiente são pensados como processos de educação ativa e construção de conhecimentos e práticas coletivas, que abrigam as possibilidades de realização e sonho do habitar o mundo, e mobilizam conhecimentos que devem ser críticos sobre a natureza e sua transformação para criar as estruturas vitais ao nosso modo de vida e as possibilidades de fruição decorrentes dessas interfaces. A cidade é uma forma do urbano, mas este é uma condição que ultrapassa o conjunto urbanizado mais coeso e convida a pensar a cidade em suas redes territoriais mais amplas, como "sociedade urbana".

  • a memória, a imaginação e a história não são apenas registro ou recordação de fatos como verdades, evasão ilusória ou erudição; são eletivas e intencionais, que se formulam e acessam em proposições constituintes e ativas no mundo em transformação, e portanto, criativas do presente, modos de se pensar e valorar em percurso diante de contextos eletivos, cujo desenvolvimento é essencial à percepção, à compreensão e à transformação de nossas práticas sociais.

  • a arte (poéticas da paisagem e da intimidade) é vivida como experiência e descoberta sensível e sintética, que mobiliza formas de percepção e inteligência que podem estabelecer brechas criativas no concreto do mundo vivido e imaginado, e nas possibilidades expressivas de transformação de sua matéria e da ideação por elas mobilizadas. Frequentemente reconhece e explora zonas de resistência, tensão e ruptura, densidade subjetiva, experiências liminares, afetividade e celebração, nas quais a reflexão é incorporada existencial e organicamente aos processos, atitudes e objetos como significado poético existencial, linguagem e visão de mundo.

  • a alegria, a satisfação, o amor, a amizade, o sonho, a confiança mútua, são (ao contrário do que parece propor a academia) constituintes essenciais de uma busca cognitiva relevante que é também estética e ética. Só pode realizar-se concretamente na tensão das próprias contradições e potências como um longo processo de aprendizagem ativa e afetiva diante de desafios e riscos reais nos quais o posicionamento é exigido como prática, na qual se aprende de modo não linear o comprometimento com valores e princípios solidários, colaborativos, coletivos e de uma cultura de paz. A celebração, a sensibilização estética e ética devem assim ser uma constante em nosso trabalho e marcar cada uma de suas etapas;

  • a aprendizagem é entendida como um processo vital, que podemos dotar de intencionalidade aberta e criativa nas relações que são a construção dos sujeitos com outros sujeitos no mundo. Nesse sentido, a aprendizagem também precisa ser qualificada, é um processo capaz de ser dotado de decisão que pode ampliar ou restringir sua potência educativa. Como consequência, desenha-se uma propositiva social do papel da Universidade com parceiros externos nos processos de formação contínua do conhecimento e das práticas.


aprender com a cidade, aprender na cidade

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